quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Vênus

Exprimindo-me em versos
exprimo a dor inebriante da existência
que só pode ser sublimada
com a consciência
de que
só pode ser sublimada
A dor poetizada não deixa de ser dor

talvez
nem chegue a ser poesia
Sublimada fosse se se transformasse nas cinzas errantes de uma labareda
transmutadora
que cai
e virasse 
.então.
pássaro
voar-se-ia
para além da matéria que aperta
para além dos astros e das esferas
para além das sombras dessa caverna
.então.
eu ia
narrar a dor como poesia
e compreender sua estadia
posto que meu peito geme
sabe-se lá de que
arde em algum canto
uma fornalha incandescente
que incinera
incinera o que já não tem mais razão de existir como é
vira pássaro
.então.
e voa.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

de sexo

Duas toalhas penduradas
denunciam
o seco que leva o suor
que seca água que leva o suor
da madrugada quente
que escorre a noite
quente
de corpos quentes
que de poesia
cheiram 
impregnam 
as toalhas molhadas
não se agitam
na ausência de vento
de verão pleno
de peito aberto
de suor de corpo
de sexo
pendem

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Amanhecer

Ontem eu dormi com os demônios 
e acordei com os anjos
Transformação alquímica
processada em algum túnel
Luz solar projetada sobre o lodo
nasceu com o nascer
do Sol
iluminou todos os quartos
todos os cantos
e a casa quase caiu, tamanha a intensidade da Luz
Os alicerces tremeram
mas o que se movimentava de verdade eram os bichos
há muito escondidos
corriam pra se libertar pra me libertar
E depois o canto ressoou como as divinas trombetas dos quatro cantos
anunciando o que já estava
mas ninguém podia ver
Então fui dormir com os anjos
e acordei comigo mesmo.